Discordar sobre a empresa sem estremecer o jantar de domingo
- VBR Brasil
- há 1 dia
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Em empresas familiares, o desgaste entre pais e filhos sócios costuma vir da falta de um lugar formal para a discordância, e não do tamanho dela.
Existe uma cena que vemos se repetir em empresas familiares que cresceram bem: pais e filhos como sócios, todos com opinião legítima sobre o rumo do negócio, e uma discussão que começou na sala de reunião e continuou no almoço de domingo com outro tom. Quando isso acontece algumas vezes, a família começa a evitar certos assuntos para preservar a convivência, e as decisões que precisavam ser tomadas ficam paradas em nome da paz.
A discordância entre sócios é saudável e faz parte de qualquer sociedade bem formada, inclusive entre pais e filhos que enxergam o negócio de maneiras diferentes. Ela se transforma em desgaste quando não existe onde colocá-la, ou seja, quando falta um fórum com pauta, alçada definida e registro do que foi deliberado, de modo que a conversa difícil começe e termine dentro da empresa.
Boa parte dessas empresas viveu muitos anos sem sentir falta disso, porque quando a operação era menor as decisões envolviam menos gente e tinham impacto mais controlado, o que permitia resolver quase tudo numa conversa rápida entre duas ou três pessoas que confiavam umas nas outras. Conteudo, o faturamento cresceu, a estrutura ficou mais complexa, entraram novos sócios e a segunda geração assumiu responsabilidades, e o modelo informal que sempre funcionou passou a produzir ruído justamente por continuar informal.
Governança em empresa familiar carrega a fama de ser burocracia cara e distante da realidade de quem toca o negócio, e na prática ela cumpre uma função bastante concreta de organizar quem decide o quê, dentro de qual limite e com base em qual informação, além de estruturar o plano de sucessão antes que ele precise ser feito às pressas.
Em processos de profissionalização e sucessão, o ponto de virada raramente é técnico, já que os controles e os números costumam existir de alguma forma. O que costuma destravar é a entrada de alguém externo e neutro, sem histórico familiar e sem lado na discussão, capaz de ajudar a separar o que é decisão de empresa daquilo que é vínculo de família, conduzindo as conversas de estrutura com alguém de fora segurando o fio.
Como resume Emanuele Solyom, sócia responsável por Consultoria e Governança na VBR Brasil: "Quando a família tem onde discordar sobre a empresa, ela consegue continuar sendo família fora dela."
Se a sua empresa está passando por um momento assim, com a próxima geração assumindo espaço, sócios em ritmos diferentes ou uma sucessão que precisa começar a ser desenhada, vale tratar a estrutura de governança antes que o desgaste se instale na convivência. Vamos conversar.




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